Método
O meu método fotográfico não é uma fórmula fechada nem um conjunto de etapas rígidas. Resulta da forma como me posiciono nos projetos e das decisões que assumo ao longo do tempo. Fotografar, para mim, é acompanhar, escolher e permanecer atento ao que está a acontecer.
Tempo
O tempo não é apenas uma condição logística. É parte do trabalho.
Acompanho processos sempre que possível, retorno aos mesmos contextos e aceito que a fotografia se constrói com repetição, observação e presença. Mesmo em contextos mais pontuais, procuro criar espaço para olhar antes de fotografar.
Escuta
Antes da imagem, existe escuta. Pessoas, lugares, equipas e dinâmicas próprias exigem atenção e leitura. Fotografar implica compreender o contexto em que se está inserido e trabalhar a partir dele, procurando responder ao que acontece no momento.
Decisão
Fotografar é decidir. O enquadramento, o tempo do disparo e a edição fazem parte do processo. Nem tudo o que acontece precisa de ser fotografado. Nem tudo o que é fotografado precisa de ser mostrado. Essas escolhas são assumidas de forma consciente e responsável.
Acompanhamento
O meu trabalho desenvolve-se em proximidade com equipas artísticas, técnicas e institucionais. Em alguns projetos, isso significa acompanhar processos ao longo do tempo. Noutros, implica integrar rapidamente um contexto e responder com precisão ao que está a acontecer.
Memória
A fotografia funciona como ferramenta de memória e comunicação. Serve para documentar, dar visibilidade e preservar o que foi feito, respeitando o contexto em que aconteceu e as pessoas envolvidas.
Este método adapta-se a diferentes escalas e formatos de trabalho. Faz sentido sempre que existe abertura para diálogo, clareza de contexto e respeito pelo processo criativo.